Crônicas, Contos, Pensamentos, Poesias e Teatro

Contos, Crônicas, Poesias e Teatro
Pensamentos e Reflexões

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Downtown

As noites eram quentes, 
o ar seco e pesado sufocava 
ela não conseguia dormir. 
O corpo aparentemente inerte,
transversal, 
ocupava toda a cama, 
um misto de vazio
com uma tremenda fome 
que nunca passa de sabe-se lá o quê?! 
Lá embaixo, 
longe de sua concha a cidade ferve, 
bares, boites, clubes, 
álcool e cigarro, 
risadas abafadas entre murmúrios, 
buzinas, brigas
o grito de uma puta por socorro. 
Arghhh, a noite parece sem fim. 
Ela vira pro lado, sem espectador,
sem luz, sem foco, sem graça, 
e até tenta dormir. 
Abraça o travesseiro, suspira, 
sem sucesso,
continua olhando para o teto.
                                                                                                                                                         Fotos da Web.

sábado, 31 de julho de 2010

A um passarinho



sábado, 19 de junho de 2010

18 de junho de 2010

"Se tens um coração de ferro, bom proveito.
O meu, fizeram-no de carne, e sangra todo dia."
José Saramago



Na mesma hora, um forte ardor invadiu minhas narinas, e se propagou, até minhas glândulas lacrimais incharem, e numa explosão, derramaram em meus olhos, incontroláveis gotas quentes e salgadas que inundaram minha boca, escorreram pelo pescoço e molharam meu peito.
Lágrimas de Saramago!


domingo, 28 de fevereiro de 2010

Música para duas atrizes!

Tarantino, I LOVE YOU!!
Tarantino, I LOVE YOU!!
Tarantino, I LOVE YOU!!!

Na verdade, Walter Salles, "os" Meirelles, Dhalia, Dhalia, estamos aqui!!!!
Não queremos ser injustas
Mas a música tem que ser curta

(se empurrando)
Diretores estou aqui, "diretores, estoy a cá"
Hollywood, I`m here
Bollywood, Hollywood

Eu sei dançar, eu sei cantar
Nós fazemos o que o senhor mandar
Mas deixe de pensar besteirinhas
Abaixo a antiga carteirinha!

Somos atrizes e somos felizes
Queremos um contrato, queremos um salário
Somos patricinhas, mas não somos bobinhas
Sabemos o que queremos e fazemos o que gostamos

Tarantino, I love youuu!
Copolla, I love youu
Cacilda Becker
Marília Pêra

I-love-youuuu!

Escrevi empolgadíssima depois de assistir Bastardos Inglórios, brincando com minha excitação.


Foto: da Web.

domingo, 17 de janeiro de 2010

"Tradução" - Ne me Quitte Pas-


(leia escutando a música, no youtube tem ótimos videos com a Maysa, não consegui postar o link)


Minha quite dá para um par
Eu faço pliet
Tu sabes fazer pliet?
Eu te ensino se você deixar
Cuidado, o pliet pode tombar
É de mau tom
e o tom... eu perdi!
Você gosta do sabor de salmão? Come on?
Foi o César que me ensinou
Aquele que me deu o perfume...
Acuda, porque...
Eu quero sua banana
Minha quite dá para um par
Minha quite dá para um par
Minha quite dá para um par
Minha quite dá para um par


Amor, estou com frio
Péra, péga o queijo brie..!
Aquele vinho com sabor de Vanilla
Que eu paguei
Assim como o apê
Eu sei que é relativo
O que vale é o amor
Mesmo você votando no Collor
Sinto dó, mas sei que você se iluminará
Eu sei que vai demorar
O amor será real
O amor será real
Não vai sair de Ré?
Minha quite dá para um par (4x)


Arghhh, Minha quite dá para um par!
Não vale retroceder
Vós mercê tem que crescer
Eu te compro um congá
Justamente o par
E você me ajuda a amolar as facas
Eu sei que posso voar!
Eu quero ouvir o Som Brasil
Tomando um cálice de Contreau
Escutando você roncar
Amorr,
vamos voar e chamar o meu papi
ele adora um Contreau
Minha quite dá para um par (4x)


Na vila, ele sobreviveu
O Jair, aquele elefante!
Denunciou aquela... vacona!
Com lágrimas nos olhos
Ele partiu..
para a Terra prometida do creme burlet!!
Com meias, chinelo e um barrigão
Deixou-a a esperar
embaixo do Flamboyant
Com ruge borrado
Ninguém vai querer pegar
Minha quite dá para um par (4x)


Minha quite dá para um par
Eu não quero implorar
Não quero falar
E nem chorar
A tua gardênia,
Não sei o que fazer, sorrir?
E perguntar?
Você nem aprendeu o pliet...
Eu sei, eu deveria te ensinar
Mas você pinçou a lombar..
Pinçou a lombar
E começou a chiar
e ficou chato
Minha quite dava para um par (4x)


Foto: da Web.



quinta-feira, 8 de outubro de 2009

O Drama-turgo

Sabe aqueles dias que não dá vontade de sair de casa? Quarta-feira passada, justo o dia que me programei para assistir à peça Pedreira das Almas, com o Fábio de Andrade e o Adriano Merlini, grandes amigos e colegas, no elenco. Tinha que ir de qualquer jeito. Gosto de acompanhar o trabalho e a evolução dos colegas. E também daqui a pouco, eu é que estarei em cartaz e quero poder cobrar a presença deles. Ahaahah... O motivo que me levava era torpe, mas verdadeiro. Só o gatilho...
E lá estava eu de novo subindo a Augusta, com o meu ipod, animadinha na chuva, indo para o Metrô. Oito e meia da noite.
Desci na estação Sumaré, quebrei uma direita e outra esquerda. Se fosse na época das carroças, a rua estaria cheia de Merda. Dizem que é daí que vem o famoso Merda, antes de entrar em cena. Merda = Casa Cheia. Muita gente, muitas carroças, muitos cavalos... muita merda!
Enfim, a casa estava cheia. E logo de cara encontrei o dramaturgo que escreveu a minha peça de formatura, muita emoção para uma simples ida ao Teatro. Cumprimentei-o rapidamente e fui para a bilheteria garantir meu ingresso e organizar as idéias. Uma fila básica, mil listas até achar o meu nome, sete minutos para começar a peça.
Feliz com meu ingresso na mão, vi que o meu “foco”, o dramaturgo, estava num papo animado com dois ou três, certeza que atores, pela altura da conversa e o tamanho dos gestos. Primeiro sinal. Fui ao Café, comprei um, mais uma água e um bombom para a peça. E lá estava ele, num instante sozinho... Investi e acreditei no meu movimento até o fim.
-Calixto! Quanto tempo, que bom te ver!
-Ciça! (Meu apelido errado... mas, ele pode) O que você está fazendo de bom?
-Ahh, acabei de fazer um curso de interpretação, plano novela e mini-série.
-Jura? Cáassia?
   Eu já conhecia a Cássia de nome, mulher dele, produtora de Casting dessas, com o perdão da palavra: fodonas..! Ele me apresentou a ela, dizendo, a Ciça é boa, ela é legal, mas tudo que eu queria era falar com o marido dela e convidá-lo para ler o meu Blog! Não era paquera. Eu precisava de um feed-back, uma crítica de alguém do meio. Toca o segundo sinal. Gelei. Respirei fundo e sem querer ser grosseira, desatei:
-Cássia, posso mandar meu material por email para ele, que te encaminha? Ela concordou e me virei rapidamente:
-Então..., finalmente consegui falar em três frases que estava escrevendo e que adoraria receber uma visita dele no blog, terceiro sinal! Simpático ele disse que ia olhar sim.
Missão cumprida. Assisti à peça que já montei no Célia Helena, que conheço decor e saltiado, emocionei-me muito com o texto, com o trabalho dos atores, com as escolhas do diretor, a luz... e corri para casa mandar o email para o Dramaturgo e sua mulher.
A novidade é que estou estudando dramaturgia com o Calixto paralelamente `a redação literária. Um mergulho de cabeça, uma verticalização na aritmética das letras e talvez reflita aqui no Blog, eles querem me enlouquecer.... e eu estou adorando!



VIGA Espaço Cênico
Telefone: (11) 38011843 - Rua: Capote Valente, 1323 - CEP: 05409-003
(entre a rua Heitor Penteado e a Amália de Noronha). Próximo ao metrô Sumaré. 





domingo, 13 de setembro de 2009

Metrô em Sampa


Terça-feira passada, cinco e meia da tarde, a cidade estava um caos, na hora que resolvi sair de casa para me dirigir ao curso de Redação Literária. Vi na internet que naquele momento seria impossível ir de carro -trinta pontos de alagamento! Semana passada não fui `a aula, não me lembro o motivo, mas jamais falto duas semanas consecutivas... jamais!
Então vesti galochas, capa de chuva, mochila, o "ipod" e fui animada escutando Madre Deus para o metrô Consolação. Animada não. Resignada. Já tinha o bilhete, um só; na volta compro o outro, já que o movimento será bem menor. Desci pelas escadas rolantes, e me posicionei estrategicamente na plataforma de embarque, como maré em lua cheia, a onda de pessoas que chegava estava mais para Tsunami.
Respirei fundo e me mantive firme. O trem chegou e parou, abriu a porta, a multidão se encavalou na troca de fluxo. As pessoas não conseguem esperar o desembarque para depois embarcar... fazer o quê? Fiquei `a distância, e assim que a confusão se aquietou entrei no vagão, encostei na parede, perto da porta e tentei me levar pela música.
O trem não estava lotado, apesar da plataforma estar, todos conseguiram se acomodar. O incrível é que em poucos segundos e já estávamos na próxima estação, mais uma plataforma cheia de pessoas que entram no trem, antes disso, lógico que se engalfinham para saber quem entra e quem sai primeiro. E eu lá, encostada na parede, perto da porta, controlando meus impulsos.
Seguimos viagem, terceira estação. Quando vi a quantidade de pessoas para o embarque, meu coração disparou, sabia que todas iam se espremer até conseguirem entrar no trem. Pensei em enfrentar como nas duas últimas estações, mas pensei por três segundos e corri para a porta, tentar sair. Digo tentar, porque não necessariamente você consegue sair. A minha sorte é que um funcionário do metrô, que está lá para auxiliar o embarque e desembarque, viu no meu olhar minha perturbação, me pegou pelo braço e puxou, como quem desentope uma pia, e me salvou! Salve os monitores! Eles ajudam os cadeirantes também!!
Feliz e levemente frustrada, sentei-me numa cadeira ali mesmo. Todos entraram no trem, esmagaram-se e o trem partiu. Do meu lado, uma moça de uns 19 anos. Observei que ela estava ali sentada, olhando como eu o movimento e resolvi puxar assunto, depois de um breve sorriso:
-Tentei, mas não consegui seguir viagem, o trem não parou de lotar, foi me dando falta de ar e taquicardia e resolvi fracionar a viagem.
-E eu estou fazendo hora e esperando o trem esvaziar, passo mal com ele lotado assim...
Eu fiquei tão feliz de saber que não sou um "alien", que outras pessoas também “fritam”...
Bom, não tinha o que fazer, sempre vou para a aula uma hora e meia antes justamente para fazer a lição, com calma, naquela casa maravilhosa e inspiradora. Abri minha mochila; prancheta e lápis na mão e em sete trens escrevi minha redação e ainda a passei a limpo. Quando terminei, olhei o trem e estava quase vazio, num pulo de gato, mochila, lápis e prancheta na mão entrei no trem, mais duas estações e consegui chegar `a aula, eu, o professor e três alunos...!!
Foto: da Web.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Minha Oração



O que posso fazer para merecer Ser?
Eu sei que o melhor é esquecer...
Mas nessa solução,
Não encontro uma saída!
Invoco as forças:
-Ditirambo e ancestrais!
Todas as energias astrais.
Me ajudem a me satisfazer,
com calma, com maturidade
Me despindo da vaidade
Caminho em busca da Verdade!

2005


segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Tulipas e Eu.


Há uns dez anos, eu cursava o último ano da faculdade de Nutrição no período da manhã. Depois da aula corria para o Estúdio Way of Light, filava um almoço incrível e trabalhava de produtora.
Em um job -como é chamado cada trabalho- este de um Shopping “babado” de São Paulo, eu precisava de uns cem vasos de Tulipas. Não conhecia e nem sabia a forma da flor, quando sentei-me em frente `a minha mesa, com o briefing na mão e comecei a fazer contatos.
Descobri de onde vem a maioria. Falei na prefeitura da cidade, descobri o maior produtor, este me indicou seu maior representante e é aí que eu entrava com tudo. Já chegava arrematando todo o estoque, em flor ou botão.
Negócio fechado, todas as flores fechadinhas acondicionadas em grandes caixas de isopor, tudo isso dentro do meu antigo carro, um gol. Abaixei os bancos, tirei o tampo do porta-malas e virou -otimista que sou- praticamente uma caminhonete.
Não é que, estou dirigindo “minha caminhonete” na Raposo Tavares, meu chefe Sérgio Chvaicer, me chama:
-Tá na escuta?
-Sim, no caminho de volta.
-Como elas estão?
-Lindas, em botão, e parecem ser rosas. Quando olho pelo retrovisor, a visão foi incrível, inesquecível! Todos os botões estavam abertos, escancarados; gargalhando da minha cara! Respirei fundo...
-Sérgio?
-Pim.. Sim?
-Não sei o que aconteceu, mas os botões se abriram, não sobrou nenhum botão.
-Cacete! Fecha o vidro, liga o ar condicionado no máximo e corre para cá.
Eu não tinha ar condicionado. Quando cheguei no estúdio, elas estavam ainda mais salientes.. escancaradas, despudoradas em flor! Com muita calma levei correndo para o estudio frigorífico e em segundos as pequenas se fecharam, voltaram a ser moças tímidas. Não! Melhor, embriões! Ufaa...
Nessa hora, nesse exato momento consolidou-se meu amor por elas. Acho que o primeiro rompante, foi a vista do retrovisor, elas dançando cancan e cantando Piaf no meu carro! E depois elas timidas se encolhendo, se guardando. Que coisa linda! Como a Natureza é perfeita.
Quando as Tulipas foram clicadas (fotografadas), e aprovadas pelo cliente, de novo, estávamos eu e elas. Longe de mim, querer ficar com todas...
Comecei por distribuí-las entre as mulheres do estúdio, depois para os homens presentearem suas mulheres, e por fim, ainda sobrou metade do meu carro de Tulipas. Resolvi levar todas para minha casa e sábado cumprir uma peregrinação entre nossas colaboradoras.
Fim de tarde, sabadão, parei na frente da loja Cleusa Presentes da Rua Estados Unidos, e desci correndo com um vasinho para a Marlene. Quando volto, vejo uma senhora elegante com o nariz metido dentro do meu carro, observando minhas meninas. Ela me olhou da cabeça aos pés:
-Nossaa.., estava olhando e imaginando quem compraria tantos vasinhos de flores de plástico com tantas Espéeciess maravilhooosas...
Com muito prazer, enchi minha boca:
-São naturais, e não tão raras. São Tulipas!
A senhora sem graça, mostrou-me os dentes.
-A senhora pode ficar com um vasinho.
Ela me agradeceu efusiva e foi feliz levando sua flor. E eu voltei para casa, com todas as minhas útimas Tulipas!
Só minhas!!
Foto: arquivo pessoal

domingo, 9 de agosto de 2009

Homenagem ao Zé do Caixão


Inútil túmulo
Nenhum cúmplice
Múmia peituda
No fundo, a Lua

Profundo escuro
Último subúrbio
Na catacumba do túmulo
A múmia fecunda

De túnica fúnebre
Música de espelunca
A múmia cornuda
Assusta Raimundo

Contudo, o ilustre defunto
De capuz, do furto
Rumo ao obscuro
O nunca e a luxúria

Húmus, lúpulo e fungo
Exu, belzebu, urubu
Na catacumba Raimundo nu
Assume sua angústia

Aliteração em U, repare que a tendência é ficar fúnebre! Influência do som U.

Foto: da Web.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

About me!


Se sou birrenta, submissa ou Amélia?
Sou egoísta, metódica e bagunceira
Observo e analiso cada movimento
Piro é nas entrelinhas,
No subtexto!
Tem dias que falo muito
Tem dias que não falo nada
Tem dias que sou a mulher maravilha
No dia seguinte posso estar um caco...
Da gargalhada ao pranto
Num breve intervalo
De três segundos....
Tá! Eu paro!
(rs)

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Boneca de Pano



No pôr-do-sol
Passarinhos piam
No pomar de pêras e abóboras
Beatriz procurava seu próprio beijo
Empuleirada no banco da praça
Perdida, observava as borboletas
Boneca de pano
Pano bonito que cobria seu corpinho
Preto e branco
Estampa de bolinha
Bela como uma boneca
Presa na prateleira
Coberta de pó
Beatriz pensava no beijo
Pois princesa que é, espera o sapo
Rapaz bonito, bem apessoado
Pinóquio sempre perfumado
Se aproxima embasbacado
O corpinho em ebulição
Beatriz com os lábios em botão
Prontos para o beijo
Os pés paralelos
No piso de pedra
No pé do banco
A pequena bolsa aberta
Espelho, tulipa e batom
As pernas se esbarram
Pequena, pequena
Espera seu par
Boneca de pano
Também pode se apaixonar



Foto: Arquivo pessoal.