Crônicas, Contos, Pensamentos, Poesias e Teatro

Contos, Crônicas, Poesias e Teatro
Pensamentos e Reflexões

quinta-feira, 28 de julho de 2022

Hormônios


(dentro da porra da bolha)

queria mesmo é ter uma

fonte inesgotável

que jorrasse palavras doces

fortes e precisas. certeiras

ai, estimulantes

gosto de encaixar

algumas chulas, para assustar

quebrar o ritmo

não é todo dia assim

cada dia vem de um jeito

tem aqueles que parecem o fim

e os que sim, ufa

sorrio para mim

para todo mundo é igual

uns nascem, outros morrem

uma casa a outra separa

uma ama outra é amada

brotam ou secam

tudo igual para todo mundo

cada uma cada qual

em seu momento, não creio

que somos diferentes.

terça-feira, 26 de julho de 2022

terça-feira, 8 de março de 2022

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

Resenha Nova!!

“Não quero escutar que me ama”: Contação de histórias enquanto trajetória feminina

Por Camile Veiga

cassandra
Feb 1 · 3 min read

A contação de histórias, inegavelmente, tem a capacidade de agitar os ânimos. Um bom enredo, com personagens cativantes, pode induzir empatia, raiva, tristeza e muitos outros tipos de comoção. Identificação também, ou o reconhecimento da alteridade. Durante séculos, as histórias populares sobre mulheres foram reduzidas a narrativas engessadas, contos de fadas com jornadas heroicas ingênuas e objetivos pífios — o encontro com o
grande amor, perfeito, de faceta única, para o qual as mulheres se doam completamente sem receber nada em troca. As literaturas moderna e contemporânea nos tiram desse lugar indefeso. Mulheres escrevendo conseguem dar voz a si mesmas e a muitas outras, e demonstrar que não somos perfeitas e temos objetivos diferentes.

Ao ler Não quero escutar que me ama (Ficções, 2021), coletânea de textos de Cica Aguirre, o que mais me chamou atenção foi a diversidade de narrativas. Não é fácil sair de si para contar a história de outras. Entretanto, em meio aos contos e poesias da autora, nos deparamos com as histórias de muitas mulheres. Não sei se elas existem ou não, mas com certeza poderiam. E é no encontro com essas mulheres, suas angústias, seus amores, suas curiosidades e suas diferenças, que nos deparamos também com um pouco das nossas.

Os contos de Cica podem ser entendidos enquanto pequenas narrativas do cotidiano. Eles me conquistaram pela curiosidade que suscitam, muitas vezes deixando um leque de possibilidades para resolução das tramas. Como entrar numa peça de teatro no meio do segundo ato; o que veio antes e o que vem depois fica a nosso critério. O diálogo com a nossa imaginação é uma habilidade bem-desenvolvida de Cica, que nos prende ao desejo de compreender esse universo de pessoas que a autora apresenta.

É necessário destacar também o talento da autora para a dramaticidade e para a descrição de cenas comuns. Nem tudo, quando assistido, é um grande acontecimento. Entretanto, qualquer cena banal do cotidiano, quando estamos em contato com o que seu protagonista está pensando, pode surpreender ou gerar reflexão. E acredito que esse seja o potencial dessa coletânea de textos com a qual Cica nos presenteia: contar uma história que,
provavelmente, não seria contada, do ponto de vista do espectador.

Entretanto, as pessoas, quando vistas por dentro, são bem mais complexas e interessantes. E é por isso que a contação de histórias é tão importante, pois possibilita o aprendizado através da escuta da angústia do outro — ou, nesse caso, da leitura.

https://revistacassandra.com.br/n%C3%A3o-quero-escutar-que-me-ama-conta%C3%A7%C3%A3o-de-hist%C3%B3rias-enquanto-trajet%C3%B3ria-feminina-7842edf98bc1

sábado, 18 de dezembro de 2021

Blair X Pânico



Filme 1- Blair x Pânico

3 minutos

  

A câmera nervosa persegue as meninas em várias situações:

 

-num corredor de supermercado

-abrindo a porta de casa com pressa e medo

-vestindo um jeans e arrematando com um cinto de couro cheio de spacks

-bêbada feliz na balada

-comprando sorvete, donuts

-dançando na pista

-no corredor da escola

-na praia

-na piscina

-na academia

-passando o cigarrinho

-enchendo o copo de bebida

-no ônibus

-no médico, no psicólogo

-meninas no quarto se vestindo (estilão filme americano)

-na privada fazendo cocô, e os meninos do lado de fora tentando alcançar a janelinha do banheiro

... (infinitas possibilidades...!)

 

A reação a percepcão da câmera tem que ser um susto, uma cara de horror, as vezes um grito, no maior estilo Bruxas de Blair, Um Estranho no Ninho, O bebê de Rosemary, terror e suspense. Hitchcock é uma ótima referência. (câmera caindo no chão)

A captação pode ser por celular, assim elas têm a liberdade de filmar aonde mais acharem gatilhos, são fragmentos de cenas, segundos, não precisa explicar, só o "retrato", o registro rápido, como aquele momento quando a gente percebe o assédio, demora para entender, para cair a ficha.

A edição vem numa sobreposição rápida e ritmada, bem impactante num crescente com a música como se fosse um bolero de Ravel, -atualizado-, ou um funk que podemos compor juntas, no maior estilo carioca, mas com o viês contrário, bem feminista, para finalizar o grande estase, o desvendar da câmera, com um close apoteótico dum pinto duro.

Assinatura- Todo pau nasceu de uma vagina. Respeito! tipo isso, mas podemos pensar mais, a assinatura tem que ser tão impactante e simples quanto o que queremos dizer.

Salvar as imagens divertidas da captação, a gargalhada após a cena de terror, vai ser usada depois no "inside the theme", quero depois usar o material perdido, não usado, para mostrar como a gente fez. Que somos fortes e corajosas e emprestamos nossa posição para falar por mulheres em situações mais vulneráveis. Mesmo rindo a gente pode falar de coisa muito séria.

Pode ser só as meninas, massxxs podem ter outres, menines, não binarios, Lgbtqia+.

 

 

por Cica Aguirre para Mariana Jorge. <3

 

São Paulo, 4 de outubro de 2021.

 

 

 

 

terça-feira, 10 de agosto de 2021

Muito EU



Cica-eu

Prioridade é o tema. Prioridade é a palavra lema de 2021, o que aprendemos junto com tantas outras coisas. Prioridade e resiliência. Reformulação, ressureição, morte de novo, respiro, arte, alívio, por poucos instantes me distraio, nunca me traio, fora genocida, mas vamos para o próximo episódio??

Prioridade e amor. Amor e resiliência. Resiliência e esperança. Força e tempo de reconstruir mil vezes todos os pensamentos em constante e louca transformação. Tudo bem, respira fundo, uma colher de doce de leite?

Doce de leite, Eu e prioridades. Nossa casa, nosso amor em constante construção, porra mas quem comeu todo o doce de leite? Não tem problema, fui eu que comi. Juro, lavo todas as colherzinhas!

Escolha suas prioridades?!?

Cica-atriz

Querendo ou não carregamos as mesmas marcas; ser mulher, ser uma boa profissional, ser mulher parceira, e toda a construção em me transformar no que sou hoje. Uma mulher que sempre procurou seu espaço profissionalmente, socialmente. Quero aproveitar para dizer que sou míope demais para ser metida, mas vai explicar...! Deixa para lá. 

Fui desenhando minha realidade conforme posso. Não sou de fácil convivência e aceitação. Pareço distraída e egoísta, na verdade estou assimilando tudo quietinha, entendendo e transformando por dentro. Sempre me senti assim, um grande olho observador. Juro que não é de propósito, sou assim, sou isso, de canto, com tempo de sobra o que a gente faz? Pensa, reza, observa, entende, cresce, evolui, tenta ser melhor todo dia. E eu desde que cai nesse mundão eu tento ser uma pessoa melhor, cheia, cheia de defeitos, vaidades, silêncios, gritos perdidos, dores caladas.

Eu sempre tentei. Sempre me esforcei para falar pouco, ouvir mais e fui salvando tudo no meu HD até ele explodir, não cabe mais nada. 

Jovem demais para fazer uma mulher da própria idade, jovem de menos para fazer uma moça, uma mãe. Foda-se a aparência, que tipo de aparência tem uma mãe? Porque viver uma mãe precisa ser mãe? Para viver uma puta precisa ser puta?

Cica-autora

Desde que lancei meus pensamentos mais profundos fico aguardando o retorno dos meus leitores, poucas pessoas pararam o dia para me mandar uma mensagem positiva. Entendo que cada um tem seu tempo, uns vão gostar, outros NÃO.

O silêncio pode ser cruel, a espera mais ainda. Caceta se minha mãe se assustou com minhas linhas é porque sou boa mesmo, isso, convenci ela sobre o que eu criei, descobri meu talento. É que eu não queria convencer ela de nada, só de que sou boa em alguma coisa. Engraçado tudo gira em torno disso, de que nossos pais nos aceitem. Porque parece que depende disso a gente se sentir a vontade de sermos quem somos. Louco né? Confuso e enraizado demais.

Uma falou; de onde ela tirou tanta coisa?? A outra me disse; mas pode ser outra pessoa... Não desvirtua, meu livro eu que escrevi, sou eu ou como EU vejo o mundo em cada linha, em cada ponto ou vírgula.

Como atriz eu nunca precisei viver exatamente o que criei, como atriz sempre exercitei a construção de personagens, E SE eu fosse moradora de rua, como EU seria? Qual seria o meu cheiro? Se fosse mãe, como olharia para meus filhos? Se fosse puta como aceitaria meu corpo, se fosse freira qual seria meu objeto de desejo, o que estarei pensando quando soltar aquela máxima horrorosa que não cabe na minha boca e não posso fugir? Ahh para viver isso tudo, muito monólogo interno para construir uma emoção que chega sincera aquela frase que não me cabe julgar. Aliás não me cabe julgar a ninguém, apenas a entender e tentar recriar uma realidade que pode ser distante da verdade, da sua verdade que é diferente da minha, e de cada um, ninguém é igual a ninguém, e isso é a maravilha de se viver. Quando coloco uma lupa eu percebo que mesmo nas nossas imensas diferenças somos todos muito iguais em nossos medos e sonhos!

Quando penso em quem eu sou, como sou, o que carrego, o que propago, penso que sou reflexo de um momento, de uma sociedade, de um todo, que me destaco para mostrar como vivemos nessa determinada época, que vai virar passado, que um dia será um passado estranho e remoto.

Cica-Frank apenas juntando meus pedaços para me transformar numa pessoa inteira, completa. Quem foi você, quem é você, quem será você daqui dez anos, o que vamos fazer quando tudo isso acabar??

O que será?

Mas veja!? Uma mulher não deve escrever, ainda mais de seus sentimentos mais íntimos, mesmo que passados há tempos, mesmo que linhas antigas, uma mulher não deve se expor, isso é inaceitável entre os varões! Como uma mulher branca pode declarar seu amor, seu desejo assim sem auto-crítica, sem o menor pudor, ai que horror dessa mulher, distanciamento e silêncio. É o que ela merece. Tudo para que a dita cuja, mulher, que fala, que sente, que se expressa, tudo para que ela continue calada. Assim é muito melhor. Calada. 

Cica-casada

Nem todos os homens/varões pensam assim, o meu, tenha certeza que não! O meu ama meu ímpeto masculino de me fazer mulher felina, ele ama. Mas não é aceitável mulher falar de amor, de desejo, de tesão. Isso é coisa deles, não é mesmo, confessa que você pensa assim. Felizmente eu não! Acha ruim, se incomoda, te machuca, o problema é seu! Lide com isso!

Nós mulheres "machos" queremos escrever nossas histórias, a nossa visão, nossa liberdade e conviva com isso: nosso olhar carregado de crítica, julgamento sobre o mundo, sobre as relações, sobre vocês homens. Aceitem. Nós sempre tivemos que aceitar. Nós também podemos ter a nossa opinião.

E aqui em casa o cafezinho dele é muito melhor que o meu! É, trabalhamos sempre na parceria! 

<3