Crônicas, Contos, Pensamentos, Poesias e Teatro

Contos, Crônicas, Poesias e Teatro
Pensamentos e Reflexões

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

assim mesmo.


Eu acordei angustiada

Na verdade não é de hoje

No noticiário aumento de depressão

-Coletiva-

Abro minha rede social

E só piora meu mal-estar

Vejo duas visões

Duas divisões claras!

O que não falta é alguém

Querendo mostrar uma verdade única e absoluta!

“Lindinha deixa eu te explicar,

você é inteligente

vai entende..!…”

Minha vontade é mesmo mandar se f…!

Eu enxergo o mundo dividido em dois

De um lado uma galera que acha que está tudo bem

Agora talvez não muito mais

Por outros motivos de ordem pessoal

Não têm o que mudar ou falar

O mundo não vai se transformar porque você quer

O mundo não vai deixar de ser machista ou racista

É assim que funciona, sempre foi assim

Não é você que vai mudar isso!

De outro eu e a outra metade que acredita

Acredita com tanta convicção

que ganha força, que ganha corpo a fala

Na igualdade, na equidade o único caminho

a única esperança

De um mundo melhor

Não podemos mudar o passado

Muito menos apagá-lo!

Vamos entender o que aconteceu

Se você conseguir se abrir

Vai perceber que não tem como

Continuar tudo assim

Eu escrevo meus pensamentos

Por ser mulher e bonita muito provavelmente

pouco lida e muito observada

Analisada, julgada

mas vai que nessa avaliação

Você se surpreenda e perceba aqui

Algo que não tenha!

E assim vamos trocando e aprendendo

Sempre em movimento,

mesmo que imóvel no mesmo apartamento

50 metros é tudo que tenho

livros, séries, sonhos e letras

histórias em construção

espera do editor com minha primeira edição

2020 enclausurou e ao mesmo tempo me libertou

sou o que sou

sou o que vejo e como vejo

sou o que falo e como me expresso

sou aquela que ninguém quis escutar

julgando que não tinha nada para falar

sou aquela que vejo seu desinteresse

e percebo que tem muito mesmo o que fazer

muitas gerações têm que nascer

para talvez entender o que to pensando

não interessa, ninguém me ouve

o que uma mulher branca, desempregada, um nada

tem para te mostrar??

Eu tenho muito mais que belos filhos

e um albúm de fotos de casamento

Eu tenho na minha mão um espelho

Que reflete o que a sociedade não enxerga

Não aceita, não quer

Uma mulher livre, que não tem mais medo

que sabe e quer apontar alguns defeitos

e fraquezas. Sociedade doente. Machista. Racista.

Me dá licença. 

quinta-feira, 5 de novembro de 2020

Basta!!!


Desmoralizar a vítima é a técnica mais primitiva que o machismo usa para sustentar a tese de que a culpa é da vítima . Por isso não me importa se a menina era vulgar ou não, as atitudes das meninas não podem ser justificativa ou gatilho para os homens fazerem o que bem quiserem. 

O estuprador é exatamente o filho, o fruto do Patriarcado!


Assinado: aquela bruxa queimada na fogueira na idade média ou aquela menina bonita que na escola todo mundo falava mal.



Cica Aguirre.

quinta-feira, 22 de outubro de 2020

Chazinho?


2- me passa o copo de cicuta!?

3- não..! queria um igual ao 1

2- não vejo a hora de entrar na menopausa, e poder usar 100% do meu raciocínio lógico

1- é?? e minha vó?

2- deu certo? ela conseguiu se aliviar? Ai, a situação estava insustentável

3- coitado do 23!!

2- e não dá para segurar ela?

1- como? amarrando? Porque é a única coisa que eu não fiz, dá uma dica, porque esgotei todas as possibilidades

2- já levou ela num sexy shopping?

1- gata, ela tem todos os brinquedos! no Natal dei o King! Ela adorou, mas nem sabe usar todos os comandos

3- será que a gente vai ficar assim??

2- acho que não

1- um pouco pior

1- eu e minha prima resolvemos encarar o problema de verdade, ligamos para o 1 da vovó

3- não acredito!! como vocês o localizaram?

1- foi fácil, depois que saiu a notícia da missa de sétimo dia da mulher dele, minha vó não me deu mais sossego

2- viúvo, ela tem chances!

1- liguei, marquei um chá em casa, levamos vovó no cabelereiro, no podólogo e na depilação

3- depilação??

1- você acha que ela é diferente de você?? eu queria que ela se sentisse bem, confortável, afinal depois de tantos anos..! ela merece!

2- ahn?? e ai?

1- deixei ela linda, passei pó de arroz, ruge, rímel, camadas de rímel e batom vermelho. Lavei toda a louça empoeirada, tive que lavar duas vezes para tirar o gosto de guardado, ele chegou meia hora antes do combinado, elegante, impecável, ela não desceu do quarto enquanto não deu o horário, e ainda achou desaforo, mas no fundo estava gostando, sentada na penteadeira, fumando seu cigarrinho com piteira,  se admirando. Vovó sempre foi a mais linda!

2- sei da fama!

1- Juro!

3- mas e ai???

1- ele mal conseguia segurar sua xícara, o píres derramava o chá empoçado, reclamou da burcite, da artrite, diabetes, pressão alta, o  ciático, a incontinência, e o neto viciado em drogas. Minha vó foi primeiro murchando na cadeira, mas depois quando ele chegou na próstata, dai ela se envenenou, pegou a xícara com um fundo de chá e jogou na cara dele, levantou derrubando a cadeira e saiu gritando: assassino, assassino, assassino!!!

2- O velhinho fofo de assassino??

3- coitado!

1- ele matou o sonho de juventude dela. 

Ele não tinha o direito de envelhecer!


Cena que escrevi para a peça Salvo em Rascunhos 2010.


Hospital



estava lá, idiota, esperando ele!

ontem dormi no hospital com o 0 (zero)

a cirrose atacou?

me perguntou se estou com o 12. Disse que não! Faz mais de um mês que o infeliz, -cagão- sumiu!

detesto gente fraca e covarde

você aguentou tudo, firme e em cima do salto, agora ele vem encher o saco?

passei na banca comprei revistas, frutas e bolachas, um litro de água de coco, fui porque ele jurou que estava sozinho, fiquei com pena. Quanto melhor ele se sentir, mais paz eu vou ter!

e ai?

ai, ai, ai

cheguei, não vou nem comentar a cara, arrumei as frutas bem ao alcance da mão dele, ouvi todas as queixas e o resumo das encrencas, coloquei meu pijaminha e me esparramei na poltrona do acompanhante para assistir TV

sei

pedi um lanche para ele, quando rompe na porta de pijama de seda azul claro, decotadíssimo, exibindo a curva do peito, que diga de passagem..., melhor não, maquiada, ela, a girafuda, em carne e osso!!

como assim? Ela foi no Einstein de pijama? Que louca! Não é possível..

Nãoo! Pior! Ela se internou no mesmo hospital e foi fazer uma visitinha surpresa, só não contava com a minha presença. De maria chiquinha, comendo morangos enormes, aqueles trangênicos, na maior descontração..., como primos! A cara dela..., impagável, nem que eu viva até os 100 anos vou me esquecer daquela ameba assustada!

as duas de pijama! aff que ridículo!

ficou branco como um papel. a vacona sentou na beira, na beira do braço do sofá e me explicou, eu fixa na TV, que pegou a ponte aérea para se internar. Pneumonia!

bebe, fuma, vive louca na balada, no sereno, virando a madrugada...

ele está desesperado, acha que ela é louca, não consegue se livrar

uma coisa é certa: cada um tem o que merece! Homem casado, quando se separa NUNCA fica com a amante! 

Nunca, nunca mesmo!!

2010

terça-feira, 6 de outubro de 2020

Já falou com seu robô hoje??

Logo cedo entro no site procurando o chat, já bem irritada, demoro uns 5 minutos até achar o maldito ícone. Acesso, espero, preencho sem paciência, nada, volto, começo de novo, procuro meu problema no roll de problemas de entrega e absolutamente não acho, absolutamente porque fui e voltei o caminho no mínimo 3 vezes e nada do ícone- meu produto não chega! Tem troca e devoluções mas não tem fale conosco! Não é possível que tenho que falar com essa máquina estúpida, vou insistir em procurar o fale conosco!

Nada! Respiro fundo, então escrevo calmamente: Meu produto não chegou, ponto, mas a resposta imediata vem totalmente dislexica, gostaria de um empréstimo? Puta que o pariu eu só quero saber do meu pedido que está 14 dias atrasados! Mas isso pensei e não escrevi, depois de escrever minha frase -certinha- dez vezes e obter todo tipo de respostas nonsenses eu desisti e escrevi BOSTA e a máquina respondeu, esse vocabulário não ajuda em nada!

Sério que o robô não entende minha pergunta simples sobre o meu produto com 14 dias de atraso mas entende o bosta, então mandei um MERDA e de novo a resposta automática. Eles estão mais preocupados em desenvolver tecnologias para reconhecer palavrões do que resolver os problemas dos clientes! Merda de era tecnológica, saudades do BIP!!!

Preciso parar de ver videos de gatinhos, o robô percebeu e cada vez me manda mais, filha da puta, trabalha com nossas fraquezas, mas nem sonhava ele, estou forte e não preciso de mais nada além do que já tenho, não vou mais clicar em nenhum video, não vou mais clicar em nada, não quero ser influenciada, manipulada mais do que já fui nessa vida e agora até robô?? Fala sério, eu tenho que ser mais inteligente que essa merda de robô, não passa de um super HD gigantesco criado pelo homem e o capitalismo desenfreado, eu vou vencer, fui criada por humanos também mas com o intuito de multiplicar, não os cliques e valores, mas fui criada pelo amor, pelo desejo de duas pessoas, tenho que ser mais forte, superior a uma máquina.

Hoje me sinto uma autêntica Indiana, ao contrário; a mão esquerda limpa, travada para o mundo, só ela pode pegar o celular, a garrafa d’água e coçar os olhos, já a mão direita imunda como o mundo, pode pegar maçanetas, inserir digital no banco, segurar mas só para não cair no transporte público. Malditos motoristas não tiveram mãe! Ou será fome que apressa tanto o caminho? Preciso parar de julgar. Sei lá deve ter um motivo para estar sacolejando tanto a gente, sorte que ainda sou forte e posso me segurar.

Só mais uma coisa, estou com medo, de ter medo de sentir a azia da farofa, meio pacote.

E você já alimentou seu Tamagotchi hoje ou vai deixar ele morrer??

*imagem da web*

sábado, 3 de outubro de 2020

Drama


Achei esse ensaio de dois mil e bolinhas..!!

Não sei quem é o autor, de onde tiramos a cena, Fabio acha que escrevemos e eu não tenho a mínima lembrança, alguém reconhece??

;) 

terça-feira, 29 de setembro de 2020

Quem tem medo de lobo mau ou melhor vamos atualizar o termo, de ALICIADORES??


 

Quando eu penso que cheguei até aqui sã e salva me dá um grande alívio e uma vontade imensa de falar sobre isso. Tem a ver com um texto que escrevi há pouco sobre ser mulher. Graças a Deus e a todos os santos e orixás, à minha mãe e vó que sempre foram muito enfáticas e radicais em mostrar a visão machista da nossa sociedade absolutamente patriarcal. E não estou falando de duas mulheres submissas, muito pelo contrário!

Estou falando de uma sociedade onde uma menina de shortinhos e top andando na rua está pedindo para ser violentada, só para a gente se situar de onde estamos. Brasil século XXI.

Eu fui treinada por uma ascendência de mulheres fortes, belas, inteligentes e brutas para perceber de longe, léguas na frente quem quer tirar proveito. Penso nos meus pais de mãos atadas ao meu crescimento, de uma menina quase criada e recém saída exclusivamente do calor de seu lar. Partindo do princípio, que com quinze, dezesseis anos a maioria, não todas algumas se salvam, mas a grande maioria sabe tudo, não tem o que aprender, não tem medo de nada, não quer escutar sobre os perigos de lá fora e é sobre essas crianças que eu temo.

Consigo perceber que isso se estende para meninos, meninas ou menines, para todos os inocentes, que no auge da adolescência se julgam detentores de todo o saber, até se depararem com uma situação que não conseguem resolver e esse é meu maior medo. Que se deixem corromper nessa idade da ingenuidade curiosa. Essa geração da preguiça e alta tecnologia. Digo ingenuidade no sentindo de vida mesmo, porque não existe como uma pessoa que não viveu nem duas décadas achar que pode se virar nesse mundão de ninguém sozinha.

Felizmente ou infelizmente sempre por mais sabida que eu me sentia, sempre tive medo. Medo de tarado, de sequestro, cativeiro, de estupro, de virar um produto barato no Mercado de humanos. Medo de ser vítima de um crime passional, de me jogarem pela janela por um motivo fútil, medo de engravidar fora da hora, medo de me meter com pessoas erradas e mudar drasticamente meu destino. Sempre o medo, mas esse medo que me conservou VIVA e dona da minha vida até hoje, esse medo que me mantém firme até aqui para contar todas essas histórias.

Com onze anos estava almoçando com meu pai num restaurante chique, vestida de caipira porque tinha acabado de dançar quadrilha na escola, no Dante, quando fomos abordados por um olheiro” palavra que não escuto faz vinte anos. O olheiro direcionou sua fala para meu pai, como deveria ser, se apresentou entregando um cartão de visita da agência que trabalhava, a mais bacana da época, Class agência de modelo, perguntando se ele não deixaria eu ser modelo! Pulo na cadeira, eu sempre soube que era mais aparecida que o normal e fiquei bem agitada. Meu pai pegou o cartão, falou que ia pensar e guardou. Quando o cara voltou para sua mesa eu já me sentia a Luciana Vendramini ou a Pietra e meu pai logo de cara me jogou todos os perigos da vida de modelo finalizando na boca do lixo, na Espanha, sem ter como voltar. Assustador, escutei com atenção, até hoje lembro bem, mas na época achei tudo um exagero. 

Não adiantou o discurso inflamado dele, estava no meu caminho e mesmo não sendo do seu agrado, ele não me proibiu, nunca foi autoritário. Comecei a perceber que nem tudo que eu queria ele ia aprovar, mais tarde vi que estava absolutamente errada, na minha estreia no teatro ele se emocionou e disse que me viu com uma segurança que ele não conhecia, que ele nunca tinha visto. Bastou isso para eu seguir em frente. Pai.

Como deve ter sido difícil ele me ver crescer e desenhar meu caminho! Difícil para ele e para todos os pais e mães, percebo claramente mesmo não tendo filhos. Pô uma menina que viveu sob a proteção do amor de seus familiares, amigos e colegas de escola vai saber se virar nesse mundo cruel que vivemos? Onde uma menina de 16 anos pode ser desejada, manipulada, e conviver com lobos soltos por ai, em qualquer canto? Como preparar uma criança para a vida? Como proteger essa criança, ensinar ela a se defender? Como?

Esse assunto me deixa tão perdida que sinto a necessidade de abordá-lo. Como preparar nossas crianças para a vida?? Como dar confiança e sentir segurança que as crianças estão prontas para o mundo lá fora, para as maldades da rua, quando tudo que elas querem é simplesmente ir embora? Ganhar o mundo.

Lembro de tantas coisas, penso em tantas coisas, me sinto grata por todos os ensinamentos dos meus pais e da minha vó, ensinaram desde sempre, que existe maldade e por isso sempre consegui enxergar e afastar os aliciadores que chegaram perto, eles existem aos montes, precisamos falar, precisamos proteger nossas crianças.

Pode ser uma amiga que te leva de isca, alguém no trabalho, uma vizinha, alguém na escola, na padaria, na papelaria, em qualquer lugar, disfarçado de qualquer tipo de pessoa normal. Mas não, não é normal, é alguém querendo tirar vantagem em cima de outro, -alguém tirando vantagem em cima de você-, alguém te usando em troca de algum benefício, pagamento, seja lá o que for. 

Não posso agradecer meu pai, mas posso escrever esse texto e quem sabe inspirar outros pais a serem como o meu, a serem mais zelosos do que estão sendo nesse momento, porque as crianças podem ter 15, 20, 25 anos e ainda são crianças começando a entender e explorar o mundo. Oremos.

Vamos lutar por um mundo diferente, vamos deixar nossas crianças crescerem naturalmente, faça você sua parte, eduque os seus e NUNCA, nunca corrompa uma criança para alimentar uma fraqueza, lute de verdade por um mundo melhor, para os seus, para todos, chega de tanta maldade. 

Observe o que você alimenta na sua mente. Se policie, a nossa mente não pode ser terra de ninguém, você escolhe as pastas que quer acessar.

Dear Sugar, quando você paga por favores a uma criança, você está CORROMPENDO uma geração, está tirando uma criança do cólo de seus pais para jogar sabe onde?? Onde você não quer sua filha ou sua mãe. 

Eu quero um mundo melhor. Eu quero que a humanidade tenha continuidade.

Eu exijo respeito.

Cala a boca e presta atenção no que seus pais falam!


(*) ilustração Paul Gustave Doré (Estrasburgo, 6 de janeiro de 1832 — Paris, 23 de janeiro de 1883) 


(pensamento em constante construção)