Aqui o café é sem adoçante, sem açúcar
Assim mesmo, do jeito que as coisas são
Hoje não tem peeling, estou cheia de ideias
Re-construindo velho sonho
Juntando os cacos do meu retrato
Refinando o faro e abrindo o canal
Deixando vir o que fluir
A lágrima é muita salgada, caralho!
Queima mais a minha pele
Hoje acordei inspirada, ando tão apaixonada!
Insônia de madrugada estou tranquila
639-net e no segundo caso
já estou dormindo,
sonhando com Charles Manson...
Tate, preciso de mais tempo!
Mais tempo!
Fortaleço e me preparo, para essa nova era
de luta, de resistência; Liberdade e Igualdade!
Força para todas as mulheres!
Às enclausuradas pelo medo,
que se faça a Libertação!
O empodeiramento espiritual e material
Força e coragem para a minoria
Repreendida e esmagada
Esquecida!
Força para todas as mulheres
(que precisam apreender" a dizer não!)
Ahhh a polícia do Rio perdeu as fotos, a única prova?
E se a vítima fosse da sua família?
Justiça para a guerreira,
Nossa bandeira!
Não vamos deixar cair no esquecimento,
Marielle, SEMPRE PRESENTE!
Crônicas, Contos, Pensamentos, Poesias e Teatro
Contos, Crônicas, Poesias e Teatro
Pensamentos e Reflexões
segunda-feira, 14 de outubro de 2019
segunda-feira, 24 de junho de 2019
Meninas e Meninos
Na minha casa minha mãe sempre foi o Sol, independente, linda e bem
sucedida na carreira de procuradora do Estado que ingressou por concurso
público, em 1978 já com seus três filhos.
E assim foi me orientando.., se me
toliam, me seguravam, eu escapava, ele me ensinou a saber exatamente o que não
quero e diferente da grande maioria de pais, o conselho era sempre; pula fora
filha! Ele me ensinou também a fazer tabelinha, um círculo em vermelho nos dias, no seu diário, assim mesmo sem esticar muito o assunto. Hoje percebo que ele era um pouco ciumento. Casei depois que ele
desencarnou! ehehheheheheh
Assim como minhas duas avós, a materna foi professora e a paterna se
formou na primeira turma feminina de contabilidade. Minha bisavó materna foi oficial do cartório de registro
civil de Pindorama, o cartório era do seu marido, mas isso não diminui o
prestígio de seu trabalho, ela se aposentou aos 70 anos de idade na Secretaria
de Estado da Justiça do Estado de São Paulo.
Mulheres absolutamente donas de suas vidas.
Bom, esse conceito de feminismo ou machismo nunca foi discutido em casa. Na
minha concepção mais uterina sou fruto dessas mulheres e tenho no meu DNA esse
traço forte de liberdade, independência que só fui perceber quando dividi minha vida com um
homem.
Olhando pelo universo masculino devo ser a pior espécie de mulher,
porque eu nunca percebi essa diferença entre homens e mulheres, além da
anatomia.
Em casa o Baba e a Mutch tinham o mesmo peso. Os dois trabalhavam, os
dois foram provedores e no final das contas minha mãe que dava a última
palavra. Isso em nada incomodava meu pai, muito pelo contrário era claro como
ele se orgulhava da mulher que tinha! E com esses exemplos formei meu caráter.
Dentro desse ambiente sem tanto contraste entre o feminino e o masculino,
eu cresci. Cheguei na idade de namorar e cada tolhida que eu recebia de algum
namorado, sempre estava meu pai por perto para me lembrar que ninguém manda em
mim, que eu jamais vou fazer o que eu não estiver afim, me ensinou a dizer não,
chega ou não quero mais e se precisar um bom empurrão! Ele me ensinou que posso escolher.
Lembro da época das festas de bailinho, meio para o fim da década de 80,
as meninas ficavam sentadas de um lado e os meninos do outro, as mais populares
dançavam a festa inteira. Eu sempre fui das primeiras a “ser tirada para dançar’’
e apoiada em algum ombro rodando lentamente pelo salão eu sem querer observava as meninas
que passavam a festa sentadas esperando alguém para dançar e no final iam
embora chorando. Eu não entendia porque elas simplesmente não levantavam e
tiravam o menino que estavam interessadas? Porquê esperar?
Tive a sorte de nascer de uma família Matriarcal, sorte e azar,
Matriarcal porque meu avô juiz teve um infarte fulminante em 1976, quando eu tinha um ano de idade
e minha vó com pulso firme seguiu comandando a família.
Mas quero mesmo é falar
do meu PAI, que homem maravilhoso que ele foi. Era o primeiro e mais fervoroso
incentivador da minha mãe. Ele era diferente de todos os pais. Lembro que ia me
buscar nos bailinhos e aceitava dar carona e encher seu Ford Landau com destinos
absolutamente opostos, centro, Lapa, Vila Mariana...., ele não estava nem ai,
ia fazendo a maior bagunça. E lembro muito de ele perguntar -sempre- se “fiquei”
com o menino que eu gostava. Esse era meu pai, sempre quis que eu fosse quem eu
sou e não o que a sociedade espera.

Meus pais, minha criação e exemplos que tive são responsáveis pela FEMINISE que sou! Sem esquecer a GALINHA que fui, porque
mulher que troca muito de namorado era galinha! Mas na minha casa tinha outro
nome; AMOR PRÓPRIO!
Atrás de uma galinha ou feminista acredite tem um grande pai
-inovador-, moderno, a frente, genial que acreditou que sua menina poderia ter todas
as possibilidades como qualquer menino.
Pensem nisso!
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Meu Maravilhoso Pai
segunda-feira, 17 de junho de 2019
Eu sobrevivi e estou aqui!
Tudo que está aqui é real, não
vou citar nomes.
Dezembro do ano passado fez 10 anos que minha vida mudou.
Vivemos num pais que a mulher
sempre é subjulgada, e o pior pelas próprias mulheres. Hoje eu tenho no máximo cinco
amigas, as que conseguem se posicionar, odeio covardia, odeio machismo, nossa
sociedade é ridícula e não acolhe as mulheres vítimas. Infelizmente lembro de
tudo de cada comentário desconstrutivo, de cada julgamento. E lembrarei
eternamente de quem foi forte e soube segurar o tranco do nosso lado!
Dezembro do ano passado fez 10 anos que minha vida mudou.
Nunca tive muitas amigas, mas as
poucas que tenho estão comigo até hoje, me orgulho disso e levo a sério.
Dezembro de 2008 estava dirigindo nos Jardins quando recebi uma ligação, atendi era a irmã da minha melhor amiga.
-Cicão?
-Oieeeê
-O que você está fazendo?
-Dirigindo
-Você pode encostar o carro??
-Pronto fala!
Silêncio......; - a XXXXXX morreu!
___________________________________________________________________________
Dezembro a vida vira uma festa,
estava perto do aniversário de 60 anos da minha mãe, perto do Natal. Um ano
terrível que muitas coisas aconteceram, perdi minha prima irmã, minha afilhada e minha
gatinha, tudo num intervalo de poucos meses!
Dez anos para tomar coragem e
falar sobre o que aconteceu.
Voltando, era dezembro minha
melhor amiga tinha vindo de longe, do outro lado do mundo com seu marido e um
casal de filhos, para finalmente morar no Brasil, Sampa, perto de casa, isso estava
me causando muita euforia, desde que saiu da faculdade ela foi viajar pelo
mundo e nunca mais voltou, só de passagem, mas dessa vez estavam aqui para ficar!
Mudaram para um belo apartamento
muito perto de casa, deixaram tudo lá e foram para a Bahia, eu lembro que não
gostei nada dessa ideia, porque mal tinham chegado, consegui ver a pequena
deitada em sua nova cama, ela já não mais tão pequena, 3 anos e 11 meses! Foram
para Bahia para passar dez dias e voltar para o aniversário de 4 anos dela, eu
já estava com meu convite em mãos, primeiro aniversário no Brasil com direito a
Buffet e tudo mais. Esse convite ainda tenho, nunca pude usar.
Difícil falar sobre isso, nem
cheguei no ponto da questão e já estou soluçando, segurando a toalha de rosto.
A minha afilhada foi violentada e
morta uma semana antes de completar quatro anos pelo jardineiro da pousada que
eles estavam hospedados, pousada de uma “amiga” nossa.
Não dá para explicar o que foi essa
violência e o quanto mais foram agredidos. Eu preciso falar, não dá mais.
Desliguei meu celular sem
entender nada. Não sabia o que fazer, não conseguia entender o que tinha
acontecido.
.....
Pediram para eu ir até o
apartamento deles para “esconder” tudo que tinha dela pela casa, abri a porta e
dei de cara com um pé do tênis rosa.
Estou revivendo essa história
porque cada dia mais aumenta a discussão sobre ESTUPRO e tudo que vem junto.
Porque a vítima sempre é a primeira culpada? Seja pela roupa, por onde está,
por quem anda, por quem é, por seus modos e nunca pelo infeliz que não soube se
controlar!? Eu acho BIZARROOOO ter que escrever tudo isso, mas simmmmm eu
preciso! QUANDO MINHA AFILHADA MORREU VIOLENTADA, ASFIXIADA E JOGADA NUM MANGUE
A SOCIEDADE BRASILEIRA CONDENOU A MÃE, a culpa foi da mãe que não estava
olhando, que não cuidou direito, que estava usando drogas.., tudo que você pode
imaginar para destruir a imagem de uma mulher, nesse caso da minha melhor
amiga, mãe zelosa que me orgulho tanto.
Eu quero contar essa história, eu
preciso!
Eles voltaram para São Paulo, com a
pequena no caixão, o pai desconfiou que tinha algo muito estranho, mas a polícia
baiana deu um laudo de afogamento. A rede record foi até a delegacia apurar o
que aconteceu e o imbecíl do delegado ficou bem a vontade porque a câmera estava
abaixada, mas não desligada; -isso acontece todo dia aqui! A culpa é da mãe que
não estava olhando! E acredite isso foi reverberando até nas rodas paulistanas.
Eu JURO que ouvi até da minha colega do teatro e seu marido que essa
história é muita estranha e mal contada! Sempre acompanhava um relato de alguém conhecido falando alguma coisa pejorativa... Era só o que as pessoas conseguiam falar. Como eles estão, os avós, como você está? Nunca! Somente o julgamento....., tudo muito estranho e sempre com um distanciamento, mostrando o desconforto. Desculpe o desconforto foi nosso que vivemos isso! Não de vocês que não queriam nem saber o que aconteceu.
Estranha mãe, estranho pai, tia, madrinha, todo mundo estranho e a gente feliz! Sim não fomos acolhidos. Ali não foi embora só uma vida, mas muitos sonhos e esperanças, morreu a mãe que eu poderia ser.
Estranha mãe, estranho pai, tia, madrinha, todo mundo estranho e a gente feliz! Sim não fomos acolhidos. Ali não foi embora só uma vida, mas muitos sonhos e esperanças, morreu a mãe que eu poderia ser.
O velório foi de mentira, porque suspeitávamos
do crime então não podia enterrar.
A irmã de uma outra grande amiga
nossa conseguiu mexer mundos e fundos e passamos a investigação para São Paulo,
porque queríamos outro laudo, afogamento não era verossímel, ela sabia nadar.
Ela conseguiu e no dia 15 de janeiro saiu o laudo da autópsia aqui de SP, nunca
vou esquecer porque era meu aniversário. Ela não tinha morrido afogada, a gente
sabia.
Uma tarde toca o telefone é uma
delegada da Bahia, lembro exatamente do nome, mas estou em respeito a minha
amiga, sem mencionar nomes, essa mulher maravilhosa, quis ajudar a minha amiga,
se interou de tudo e começou a investigação. Os pais sempre souberam quem era o
assassino, lembro da minha amiga ligando para a dona da pousada para dizer pelo
amor de Deus, cuidado com as crianças, era férias!! Eu liguei para uma amiga que
foi para lá, duas semanas após o assassinato para pedir para ela não ir com sua
filhota e chegaram aos nossos ouvidos até que como peritos “brincaram’ de simular a cena do crime-!?!
A gente sabia e se preocupava com
todas as crianças que estavam lá na pousada sob o olhar do assassino!
Carnaval chegou e os pais foram
convocados para ir até a Bahia para depor, a delegada já tinha esquematizado
todo o plano. Foram até a pousada, os hóspedes que estavam lá já tinham seguido
viagem, ainda mais depois da tragédia, o que tirava pela metade a possiblidade
de fazer justiça. A delegada convocou
TODOS os funcionários a acompanharem na delegacia, a tal que era nossa amiga e
proprietária da pousada NÃO queria liberar os funcionários e falou em alto e
bom som, quem vai pagar a condução de volta deles? A menina foi afogada culpa
da mãe que não estava de olho.
Entraram no carro minha amiga, o
marido no banco do passageiro, a delegada separando o assassino da mãe sem a
filha. Lembro da minha amiga falando, ele foi o caminho inteiro batucando com a
mão a música que estava tocando no rádio e ela pensava..., não pode ser ele!
Ele tem uma filha da idade dela!
Na delegacia o jardineiro depois
de meia hora de contradição caiu de joelhos e confessou tudo com riqueza de
detalhes. Direto para a cela, sem dinheiro para condução de volta para nunca
mais!
Anos se passaram até o julgamento,
a família já bem longe do Brasil voltou para o tribunal, eu não fui. Ele foi
condenado, direto para o presídio e na primeira rebelião fazia parte da lista
dos que foram queimados com o colchão. Alívio?? Não! Não teve alívio para ninguém.
Mas justiça foi feita nossa
pequena não foi em vão, o demônio confessou diversos casos, minha amiga foi uma heroína que tirou esse sujeito da rua, o resto são as escolhas dele.
Já minha amiga, sua família, eu,
não tivemos escolha, apoio, carinho. Fomos isolados porque o clima estava
PESADO, e estava mesmo, o meu namorado da época não me acompanhou no
velório..., muito pesado.
Percebi como as pessoas podem ser
egoístas e algumas cruéis.
A vida seguiu, minha amiga
engravidou de novo e quase todos os dias passava a tarde em casa, primeiro ela
e a barriga e depois ela e a bebê. A gente se apoiou muito, chorava, ria, se
revoltava e continuava! Quase que isoladas.
Um dia TIVE que voltar para
aquele lugar, esse lugar foi um dia o meu Paraíso; Trancoso conheci levada pelo
meu tio, médico que se formou na USP e na viagem de formatura conheceu uma bela
baiana e por ali ficou, não ficou muito porque também foi assassinado lá. No
Paraíso sem Lei. Pausa,
mas lá estava eu, Páscoa, caraaca, Páscoa, perdão, igreja..., fui lá encomendar uma missa, me direcionaram para uma senhora que morava do lado da casa em que eu estava hospedada. Por acaso era a ex babá do meu anfitrião.
mas lá estava eu, Páscoa, caraaca, Páscoa, perdão, igreja..., fui lá encomendar uma missa, me direcionaram para uma senhora que morava do lado da casa em que eu estava hospedada. Por acaso era a ex babá do meu anfitrião.
Fomos muito bem recebidos com
cafezinho adoçado com açúcar cristal e bolo de aipim. Falei para ela que gostaria
que rezassem pelos meus na missa no domingo de Páscoa e ela levantou para pegar
um caderninho para eu escrever o nome. Eram os nomes, meu tio, minha prima e
minha afilhada, TODOS os três desencarnaram lá. Todos meus. Quando ela leu os
nomes perdeu a cor. Você conheceu o Dr Pérsio? Eu respondi feliz e efusiva,
simmm meu querido tio. -Essa menina aqui brincava aqui em casa com meus netos e
esse moço que prenderam é inocente e meu sobrinho. Ele confessou mas para ela
era inocente, eles são daquela religião que a culpa é do Satanás que encostou e
não do próprio assassino. Por essa e outras não simpatizo com evangélicos!
Domingo de Pascoa chegou, acordei
às seis da manhã, tomei banho e vesti um vestido branco e alvo, guardado para
isso. Fui sozinha assistir a missa toda, como era uma data especial estava
padre, bispo e arcebispo, como uma carola vivi a Missa toda esperando escutar a
homenagem aos meus mortos, a missa acabou, ninguém falou nada, vários, vários
nomes, e não os meus, porquê?? Fiquei sentada sem reação até esvaziar a
igrejinha. Após a missa tinha um café da manhã comunitário e caminhei para lá,
na verdade era o meu caminho, mas dei de cara com os 3 sacerdotes, e fui como
paulistana desenrolada que sou perguntar para eles porque ignoraram meus
pedidos de prece, para três pessoas que deixaram suas vidas naquele local.
Se entreolharam, não me
responderam e com um olhar desaprovador o mais novo, o Padre encostou a mão no
meu peito e me empurrou!! Pedindo para eu me afastar. Essa é a imagem que eu
tenho da MARAVILHOSA IGREJINHA QUE TODO MUNDO TIRA UMA BELA FOTO! Fake como a
era em que estamos vivendo!

A vida tem muitos momentos difíceis
e o que aprendi que para você conseguir evoluir tem que viver e olhar de verdade
para aquilo, não adianta disfarçar, fugir, evitar. Eu estou aqui e vivi esse
tormento, sobrevivi, perdi muitas pessoas e oportunidades mas entendo HOJE que
era só uma limpeza para eu enxergar melhor o meu caminho!
quarta-feira, 5 de junho de 2019
Oiê??
2019 ano ímpar! #amooo
Versão do Mau
Merda para nós todos!! Evoé!!
OBS: como atriz uso o nome CICA AGUIRRE, estou no Elenco Digital, Nossa Senhora do Casting e IMDB.
Começou
cheio de vontades, a mais forte delas eu retomar minha vida profissional.
Na verdade comecei essa volta faz
mais de um ano, quando me vi desanimada, sem objetivos, sentindo que passou
minha hora. Bom eu não estava tão velha, 43 anos, velha para muitas coisas mas
não para atuar, não tem idade..., ufa! Meu primeiro passo foi voltar a me
olhar, entender onde me perdi e começar a montar o quebra cabeça. Encararei
de frente os 11 kilos que ganhei e não faziam parte do pacote, assumo que tenho
problemas, só consigo me amar dentro do padrão que eu estipulei na minha cabeça
lá atrás. Bom sabendo disso comecei a dieta, sou nutricionista e usei tudo
que minha vó ensinou...! Não tem segredo emagrecer, precisa querer de verdade.
Outro ponto importante era retomar minhas atividades físicas, que parei em 2015 quando mudei de casa. Endorfina é mais importante que ter o corpo bonito.
Três anos sem atividades e acima do peso ficou difícil me sentir segura para convencer Castings, até filmei duas, três publicidades mas detestei o que vi na tela, me achei redonda e com o cabelo alaranjado. Ai fudeu! Parei tudo mesmo, marquei um ortopedista e dei finalmente o start que faltava para dieta e voltar a me amar. Aproveitei e parei de pintar o cabelo também. Detesto tinta!
Outro ponto importante era retomar minhas atividades físicas, que parei em 2015 quando mudei de casa. Endorfina é mais importante que ter o corpo bonito.
Três anos sem atividades e acima do peso ficou difícil me sentir segura para convencer Castings, até filmei duas, três publicidades mas detestei o que vi na tela, me achei redonda e com o cabelo alaranjado. Ai fudeu! Parei tudo mesmo, marquei um ortopedista e dei finalmente o start que faltava para dieta e voltar a me amar. Aproveitei e parei de pintar o cabelo também. Detesto tinta!
Consulta, ressonância, médico,
três hérnias cervicais, um bico de papagaio, seis meses de fisioterapia e adeus
a exercícios físicos.
Inconformada, novo especialista em cervicais, eu mais confiante e o médico mais sério me deu alta dizendo que minha coluna é de uma menina de trinta anos. (!?) Mais três meses de fisio para fortalecer os músculos mais profundos e vida normal com direito a bungee jump! Instituto Osmar de Oliveira, faço questão de nomear, gostei muito. Viva a vida! Vida nova!
Inconformada, novo especialista em cervicais, eu mais confiante e o médico mais sério me deu alta dizendo que minha coluna é de uma menina de trinta anos. (!?) Mais três meses de fisio para fortalecer os músculos mais profundos e vida normal com direito a bungee jump! Instituto Osmar de Oliveira, faço questão de nomear, gostei muito. Viva a vida! Vida nova!
Com alta depois de nove meses de
fisioterapia, retomei a academia em casa, esteira e prancha todo dia, comecei
com vinte minutos e agora estou em 5K em 45 minutos quase todos os dias. Emagreci os 11 kilos, num estalar de dedos. Voltei a ser exatamente como sempre fui, na verdade bem melhor, pronta para tudo, inteira. De novo: BASTA QUERER! Querer de verdade, com força e sinceridade.
Pronto a vida organizada, minha
casa do jeito que eu sempre sonhei, meu marido lindo em total harmonia com quem
eu sou, eu em harmonia comigo, parei de pensar só nos outros e comecei a pensar um pouco mais em mim. Nesse momento estava procurando casa de Show para um espetáculo de
Flamenco, participando de editais para o show de Flamenco e no meio de uma
ligação, percebi de novo que estava fazendo para os outros. Foi um bom retorno. Desliguei o telefone, e comecei a pensar e se eu me vendesse
como vendo até faca sem fio para os outros?
A partir dai, pedi uma reunião com as minhas agentes, trabalho faz 15
anos na mesma agência, adoro elas e precisava de meia hora de atenção. Depois
de umas duas semanas conseguimos marcar um horário, uma segunda-feira, 29 de
abril, lá estava eu, nerrrrrrvosa porque sou uma negação para falar de mim,
posso ter um milhão de adjetivos para você desconhecido, mas não consigo dizer
um elogio sobre mim.
Arrumada no meu melhor estilo
(tênis) munida com folders de peças, trailer do seriado, prancheta com todos os
tópicos da reunião. Apesar dos 15 anos trabalhando juntas é uma agência que deve ter milhares
de atores eu sou só mais uma. (Será que eu vou ser sempre só mais uma?)
Sentei na frente das duas, adoro
elas, e comecei; estamos juntas faz 15 anos, já sei fazer tudo; chego antes do
horário, decoro o texto, não derrubo o cenário, não fico nervosa, não fico
corada, já sei quem é quem, sei o que
preciso fazer, sei esperar, respirar, me controlar, me sinto pronta, mas tudo
isso para Publicidade? Para o ação e corta num intervalo de cinco minutos?
Eu sou e sempre fui louca por
dramaturgia, escrevo, amo contar histórias, posso passar horas rindo sozinha, organizando como
contar de uma forma mais legal, e mais legal..., e em quinze anos fui
indicada para dois ou três testes do que hoje chamamos de conteúdo. É isso, fui lá para
dizer que quero, preciso tentar conteúdo, isso tem um real sentido na
minha vida, a publicidade me trouxe muita coisa, experiência até do que não
fazer, cachês maravilhosos mas agora tive que dizer adeus e começar uma nova
fase.
Voltei para casa cheia de esperanças
e tarefas, para tentar conteúdo eu preciso de material de conteúdo. Fiz um sitcom
em 2013, no ano que me casei e não mexi muito com isso, casar, comprar casa, separar, casar de novo com o mesmo, reformar a casa, tudo isso tomou meu tempo.
Mas eu tinha o seriado de 13 episódios cheio de cenas minhas, precisava
organizar os vinte minutos de cena em um Reel de 1 minuto, com apresentação, cinema
e teatro. Passei vinte dias fazendo, acordando e dormindo abraçada com o computador.
Antes disso queimaram dois hds do meu macbook, mas deu tudo certo e aprendi a
usar o Final Cut, entreguei para minhas agentes meu Reel, estou colocando o que
fiz e a versão que o Mau fez.
Versão do Mau
Merda para nós todos!! Evoé!!
OBS: como atriz uso o nome CICA AGUIRRE, estou no Elenco Digital, Nossa Senhora do Casting e IMDB.
sábado, 27 de abril de 2019
Em algum TERREIRO por ai!!
Era 2009 eu estava há duas
semanas da estreia da peça que eu idealizei e produzi.
Tudo começou numa feijoada de
despedida do Musical Bixiga, eu estava tão chateada que tudo ia acabar que
convenci três do grupo; duas atrizes, a preferida do diretor e a que gostava
de escrever como eu e o diretor de cena, passamos o ano nos reunindo na mesa da
cozinha dele construindo o texto e depois ensaiando em salão de festas
emprestados.
Produzimos
tudo; o figurino, cenário, fotos, folder, cartaz, gráfica, gelo, o Teatro que
eu paguei com um cheque caução sem fundos!
Eu estava realmente
super pilhada e ansiosa, dentro do processo criativo normal de levantar um
espetáculo pela primeira vez e fiquei mexida quando minha super-mega-amada amiga
Mari me chamou para uma semana sabática num Terreiro na Bahia, Festa de Oxalá. Estava tudo encaminhado, dava direitinho para dar um pulo em Salvador, eu a
Mari e as meninas, #sonho! Louca eu topei, achei que seria incrível essa
oportunidade de conhecer intimamente um Terreiro de Candomblé. Na época eu era ateia, batizada na Igreja Católica Apostólica Romana.

Nó em pingo d’água e tudo pronto
para partir, já faz dez anos que tudo isso aconteceu mas vou me concentrar para
não perder nada!
Fomos de avião, nós quatro,
sempre é incrível estar com elas, voo rápido, no desembarque a Mari já encontrou paulistas, cariocas chegando para o
mesmo destino.
Deixamos as meninas para a
primeira noite na casa da minha tia Fátima e entramos no Terreiro as 23hs, a
Mari me explicou que lá não poderíamos falar, pelo horário todos já estavam
deitados, pediu que eu fizesse tudo exatamente igual a ela, e em silêncio.
Entramos, só as luzes da Lua, uma
casa antiga e branca, branco caiado, com janelas cinzas, corredor enorme no final
chegamos no que deveria ser um átrio, aberto e com algumas árvores, esteiras
cobrindo o chão com pessoas dormindo, eu e a Mari, eu copiando todos os passos
dela, buscando onde pisar, em direção a uma portinha. Entramos, era uma
espécie de “lodjinha”, lá pegamos todo o vestuário, uma calça, uma saia, uma
pano de cabeça, a camiseta Hering cada um leva a sua. Tudo branco candido, com
nossa vestimenta em mãos saímos do quartinho, atravessamos o átrio, depois um grande quintal de piso de terra e grama repleto de árvores, chegamos no vestiário com vários chuveiros, tiramos toda a nossa roupa e
passamos pela ducha gelada, perguntei da toalha e escutei um: -shhhhhhhh
Cecília!! Entendi que não tinha toalha e nem água quente, entendi também que
fazia parte do processo se fuder um pouco!
Desligamos o chuveiro a Mari saiu e voltou com um balde de água marrom, meio café com leite que cheirava sela de cavalo, quando vi já logo
perguntei;
-Que porra fedida é essa?
Ela derramou aquela água marrom
fedida, metade em mim e metade nela, o fundinho com terra lógico que em mim, brava, lembrando-me que o combinado era eu ficar calaada!
Mandou eu vestir a roupa por
cima. Só porque a essas alturas eu já estava bem contrariada, o
banho gelado as 23:30 com o agravante de sem toalha, eu vesti a saia por baixo
e lógico sujei a saia no piso molhado. Não podia sujar a saia, caraalha, por isso me pediu para vestir
por cima, realmente eu tenho muito que evoluir... Como se eu fosse uma criança,
a Mari me levou pelo braço com a saia suja até a lojinha e trocamos a saia.
Toda limpa, branca, sem nada de
adereço, brinco, colar, nada, cabelo ensopado pingando e puxado para trás, ela
pegou duas esteiras em um balaio grande e foi procurar um lugar no átrio para nós. Abrimos as esteiras e deitamos.
Um frio de matar, eu estava com o
corpo molhado embaixo daquela roupa de algodão branca, estava há uma semana da
minha tão esperada estreia com o cabelo molhado, no relento, sem coberta para
dormir! Quem é ator sabe do pânico que senti, fazemos absolutamente TUDO para
mantermos nossa saúde mental e física antes de uma estreia, mas eu estava ao
relento, molhada a meia noite, 1 semana antes da estreia! Provavelmente em nem
terei voz semana que vem, posso ter uma pneumonia.., sei lá! Não estava achando
aquilo muito correto.
A Mari que dorme depois de ver
toda a programação da televisão, já estava dormindo feito um bebê! Desgraçada
só pode ter tomado um Dormonid!! Foi a maior dificuldade me desligar do frio,
cabelo molhado, esteira, relento, mas dormi. Meia hora no máximo, antes de
clarear ela me cutucou já de pé e enrolando sua esteira. Acordei num pulo, me apressou
porque a fila do banho fica enorme....., fila do banho?? Meu cabelo ainda está
molhado e tenho que tomar outro banho??
-Simmmm, aquele foi para limpar o
que a gente trouxe da rua e esse já faz parte do ritual Águas de Oxalá!
Chegamos na fila, ainda não
estava enorme, ela levava a uma portinha azul, nessa fila muita gente famosa,
mas não vou falar quem. Chegou minha vez, entrei na porta, que dava para um
quartinho com outra fila que levava para a varanda!! Cheguei na varanda um esguicho para
tomar banho, pelada, não poderia ser diferente de todos. Não olhei e também
ninguém me olhou.
Segundo banho tomado, nova roupa virgem e fomos para a sala principal, sentamos num cantinho, estava começando a
clarear, tinha que esperar toda a casa se aprontar, passar por aquele ritual,
até o mais velho/a chegar e começar a descida de Oxalá com o balde na cabeça.
Uma entidade que não sei quem é,
avalia a lata que você vai carregar, recebi uma de tinta, daquelas quadradas de 18
litros, mas vi outras pessoas com latas de milho! Cada um com a sua, passamos
por outra fila para encher a lata de água, outra entidade encheu e comecei a descida da escadaria com ela na cabeça. Olha aquela lata de tinta cheia de água
até o talo ia afundar meu miolo mole! E convicta que aquilo não faria bem a
minha saúde, a cada passo que dava, a cada degrau eu deixava cair um pouco,
quando cheguei lá embaixo estava com menos da metade!

Sol esquentando, eu exausta só conseguia pensar no café da
manhã da minha tia baiana com cuscus e banana frita!
Depois de uma tentativa de dormir na casinha alugada, um
entra e sai de gente, impossível dormir, eu não aguentei, abandonei o barco, corri para
titia curtir uma praia do Forte tomando Sol com as crianças.
Voltamos todas no Terreiro para o encerramento da semana de
Oxalá, descansada e serena, observando tudo meio distante, mas muito
feliz, com total consciência da minha "pequinês" e que nada é melhor que curtir a Natureza, entrar no Mar, se jogar nos braços de Yeh Mãe Jah, família,
amigas de verdade e as crianças para renovar, recomeçar.
Observe as crianças, elas sabem tudo!
foto: exaussssta
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Terreiro
quarta-feira, 17 de abril de 2019
FOCO
Acho engraçado quando me cobram
foco.
Quando me pedem foco fico
chateada porque para eu conseguir ter foco no que eu amo, a Arte Dramática eu
tive que aprender a fritar o peixe e olhar o gato. Tive que aprender a tocar a
vida, pagar as contas mas sempre com o foco de ter espaço para correr para um
teste ou um texto, esse é meu maior FOCO.
Nasci focada, desde criança
sempre soube que queria ser atriz.
Demorei um pouco para assumir minha vontade
e encarar o sonho. Com 25 anos joguei o pouco que tinha para cima e fazendo um freela
para uma super amiga na Rede Globo com figurino aquele sonho lá atrás veio com
tudo, não adianta fugir, a vida toda com uma pontada de certeza que lá é meu
lugar, lá ou o que significa a Globo para mim. A melhor empresa para se
trabalhar com dramaturgia, a fábrica de sonhos que sempre alimentou meu imaginário
mais profundo.
A temporada do seriado acabou e a locação foi para o Rio de Janeiro, numa nova fase, minha chefe e eu fomos convidadas para continuar
na equipe, nem ela nem eu tínhamos bala na agulha para isso, Rio de Janeiro é
absurdo de caro e não estava nos planos...
O trabalho encerrou e eu fui me
matricular na escola de Teatro mais perto de casa, morava em Santa Cecília e fui
para o Macunaima, deslumbrada com o universo da interpretação, deslumbrada! Cursei
dois ou três semestres, eu e duas colegas queríamos mais e a escola de teatro
Célia Helena desde minha época de modelo já era babado. Migramos recomeçando do
zero para o Célia. Melhores anos da minha vida, muito aprendizado em pouco
tempo, um tapa na cara quase todo dia. Sinto saudades e quando conseguir quero
voltar, fazer uma atualização, em roteiro.
Em 2007 formei atriz, já era
Nutricionista, mas isso ainda não interessa, drt ativo, currículo, fotos, tudo
em ordem e em mãos fui para o cadastro da Globo, fui muito bem recebida e
entrevistada pelo Zeca Bittencourt, conversa gostosa, entrevistador leve. Uma
semana depois o mesmo me ligou marcando o vt que eu estava com sorte, estavam
procurando atriz com meu perfil. Busca louca de monólogos, nãooo consigo me
lembrar qual fiz, sei que é tudo meio uma fórmula parecida, talvez tenha feito
algo autoral, detestaria um dia ver ou lembrar!
Foi a única oportunidade que tive
e com certeza não estava preparada, uma vida sonhando para resolver tudo em
dois dias, texto-respira-calma-studio-vida toda passando na cabeça-ação!
FOCO
12 anos se passaram, de televisão
o que aumentou minha bagagem foi uma média de 1 filme publicitário por ano e um
seriado de 13 capítulos com a equipe israelense falando um inglês engraçado,
assim como o meu!! Ali consegui criar um personagem dormir e acordar, maturar,
entender a criação do personagem. Amei falar em inglês e soltei a clássica EU
TE AMO em hebraico; “any oeveth otrah!”
Na publicidade eu aprendi o time
de gravação, não tropeçar nos fios, derrubar o cenário, dar o texto na hora
certa, esperar, esperar e esperar sua vez, esperar mais um pouco, entender quem
é quem nos seus postos e gravar tudo em 5 minutos. Você aprende tudo isso mas
não a conviver e evoluir o Personagem e suas nuances. Não dá tempo para nada, além de um exercício que faço para a musculatura do rosto entre um corta e ação!
FOCO
Nove ou dez peças no meu currículo,
sendo que duas grandes experiências com; Bixiga, o Musical na Contra-mão em
2009 e a peça com minha co-autoria e produção Salvo em Rascunhos em 2010 e 2011.
FOCO
Para sobreviver com um filme publicitário
por ano, duas peças em uma década me tornei muito versátil, nesse tempo fui recepcionista em agência publicitária, gerente
de escritório de advocacia criminal, atendimento em produtora audio visual, gerente comercial de escritório chileno de
importação e exportação, SOU petsitter louca alucinada, especialista em gatos,
estudante de concurso público, contadora de histórias, dona de casa das antigas e cozinheira do Mau.
FOCO

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