Crônicas, Contos e Poesias

Por Cica Carvalho

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Como Cão e Gato!




Faz três meses que adotei uma cadelinha muito charmosa e terrivelmente inteligente.
Numa tarde, na casa do meu namorado, o irmão dele aparece com uma cadela da raça Spitz Alemão, senhora de si. De salto alto e nariz empinado, correndo pelo quintal. Cachorrinha de apartamento, num terreno de quinhentos metros quadrados. Ela estava feliz e realizada. Me encantou. Meu cunhado disse que ela estava há duas semanas sozinha no apartamento do dono. Não tive a menor dúvida, aceitei cuidar dela temporariamente, depois de pensar por longos cinco minutos!
Final do domingo, fomos para casa. Nossa adaptação foi instantânea. Na primeira manhã acordei com ela dormindo, do lado fantasma da minha cama, com a cabecinha no travesseiro!... Isso já faz três meses!
No fim de semana, vou com minha nova companheira, Mink, para casa do meu namorado. A rotina é tão marcada, que só de ver a mochila, ela fica louca. Quando entro na rua, começa a uivar. O quintal enorme, os vários amigos que ela fez por ali, a Isa, a comida da Isa... o conjunto a faz uivar. Assim como eu....!
Nesse ponto entra o Gato. Vira-lata, quase idoso, cego de um olho e dono da área. Nome- O Gato. O rei da casa. Eu sempre acreditei muito na cadeia alimentar e fiquei arrepiada e curiosa da relação que ali nascia. Esqueci um detalhe importante, o apelido da Mink é Suzane Richthofen.
Bom, o primeiro impacto entre os dois, não presenciei. Quando vi, já estavam lado a lado. A Mink nem aí para o Gato, e o Gato curioso da Mink. Essa relação foi crescendo a medida que ela se tornou parte da familia.
No último sábado, estou assistindo televisão e escuto um Merrrreeeeuuu, na mesma hora levantei e abri a porta. Desconfiado, ele analisa o território antes de entrar, a procura daquela, que invade seu espaço, come sua comida, rouba a atenção de todos, marca território, aquela; a Monstra! Depois de mapear a sala, identificar de onde vem esse cheiro, ele entra, desconfiado, passos largos e rasteiros, como um felino selvagem rodeando a presa. A presa na verdade é ele! Todo animal que se sente acuado...
Deitada, em um ninho de manta, Mink relaxa no sofá, sem se incomodar com a presença ferina do Gato. Se Mink está no sofá o Gato se acomoda na poltrona, se ele está na cadeira, pode procurar que ela está embaixo, é uma relação de amor e ódio, porque estão sempre juntos, mas se ela passa abanando o rabo, altiva perto dele, ele não hesita, mete a mão! A patinha estica três metros e meio e vira uma raquete, e a carinha dela a bola! Eu sempre por perto, aparto antes da raquete chegar na bola.
Somos meros coadjuvantes de um documentário real da vida selvagem!
Cica Carvalho
Foto: arquivo pessoal

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Café Creme


Numa dessas manhãs de feriado, fugindo das inevitáveis tarefas domésticas, troquei a pantufa pelo tênis, catei minha bolsa e corri para o café. Sou uma cliente habitual, e antes dessa maldita Lei, eu batia carteirinha.
Bom, o delicioso aroma do café cremoso e espumante estava me perturbando. Entrei no Sallon com passos firmes e vigorosos, dirigi-me ao caixa, o mesmo atendente, o mesmo uniforme e sorriso. Impecável!
-Bom dia!
-Bom dia, um café curto e puro, continua o mesmo preço?
-Sim.
-Creme `a parte, por favor.
-São R$ 3,50.
Uma sensação de alívio percorreu o meu corpo... Coloquei minha discreta bolsa em cima do balcão, tirei minha agenda, a caixa dos óculos, Esaú e Jacó e finalmente meu porta moedas.
-Aqui, moço. Obrigada.
Escolhi a melhor mesa, alta e com bancos de encosto e apoio de braço, confortável e elegante, de onde eu conseguia ter uma visão panorâmica do Hall do cinema. Adoro pessoas que adoram cinema.
-Com licença. Uma garçonete, com um coque muito puxado e engomado, colocou minha xícara e saiu silenciosamente.
Satisfeita, mantive meu ritual, de movimentos “ensaiados” para temperar meu café com dois saquinhos de açúcar, mexe, creme, uma pitadinha de canela, um suspiro profundo, olhos fechados e em três grandes goles, sorvi o conteúdo, respirei fundo e lembrei da vassoura, a louça; a casa!
Cica Carvalho.

10-15 linhas
Cena do cotidiano.
Não deve ter conflitos. Mas tem!

Foto: arquivo pessoal.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Título proposto- Manhã de Sol

Aquela manhã de Sol
Orvalho nas pétalas
Na jardineira,
no pé da janela

Aquela manhã de Sol
O rosa era mais vivo
O canto mais afinado
O mundo sorria entusiasmado!

Aquela manhã de Sol
O riso atrevido
Era abafado,
Pelo barulho repetido
e desgovernado

Aquela manhã de Sol
Aquela manhã
Aquela...
Sol.